terça-feira, 8 de novembro de 2011
RIO - Numa daquelas raras ocasiões em que a montanha vem a Maomé, astrônomos do mundo inteiro estão acompanhando com atenção a aproximação do asteroide 2005 YU55, que vai passar de raspão pela Terra na noite desta terça-feira. Com cerca de 400 metros de diâmetro, ou do tamanho do Pão de Açúcar, essa grande rocha espacial chegará a cerca de 320 mil quilômetros do planeta às 21h28 (horário de Brasília), viajando a uma velocidade relativa de mais de 68 mil quilômetros por hora. Embora passe a uma distância menor do que a até a Lua, não há risco de colisão.
Calcule os resultados de impactos na Terra
Na noite desta segunda-feira, a Nasa divulgou novas imagens do asteroide captadas por suas antenas em Goldstone, Califórnia. Elas mostram o YU55 quando ele estava a 3,6 distâncias lunares, ou 1,38 milhão de quilômetros, da Terra.
A visita do asteroide é uma ótima oportunidade para os cientistas aumentarem seus conhecimentos sobre esse tipo de objetos, alguns deles verdadeiros fósseis da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Classificado como do tipo C, o YU55 é composto basicamente de mineirais a base de carbono. Isso faz com que ele seja muito escuro, dificultando sua observação direta durante a aproximação da Terra, o que só será possível com telescópios com objetivas de pelo menos 15 centímetros de diâmetro. Por outro lado, sua composição o torna uma atraente fonte de recursos em futuros projetos de exploração espacial.
Nos últimos anos, diversas sondas espaciais tiveram e têm como objeto de estudo asteroides, inclusive com planos da Nasa de realizar uma missão tripulada com destino a um deles na década de 2020. Lançada em 2005, a sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), passou em 2008 pelo asteroide 2867 Steins, de diâmetro médio de cinco quilômetros, e no ano passado encontrou-se com o 21 Lutetia , uma imensa rocha com mais de 120 quilômetros de extensão em seu eixo maior. Agora, a Rosetta está hibernando a caminho de seu destino final, o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, o qual deverá acompanhar a partir do início de 2014 desde que ele passar entre a órbita de Júpiter e Marte até o fim de 2015, quando já estiver se afastando do Sol.
Já a sonda Hayabusa ("Falcão peregrino"), da Agência Espacial do Japão (Jaxa), partiu da Terra em 2003 rumo ao asteroide 25143 Itokawa, pela primeira vez recolhendo amostras de um asteroide e retornando-as ao planeta, que chegaram no ano passado . Enquanto isso, a sonda Dawn ("Aurora"), da Nasa, atualmente encontra-se em órbita do asteroide Vesta , o segundo maior do cinturão entre Marte e Júpiter, com 530 quilômetros de diâmetro, e em meados do ano que vem deve seguir viagem rumo ao Ceres, o maior do cinturão.
A última aproximação de um grande asteroide como o YU55 da Terra, porém, aconteceu em 1976 e nova visita só está prevista para 2028, quando o 2001 WN5, com diâmetro estimado entre 700 metros e 1,5 quilômetro, deverá chegar a 250 mil quilômetros do planeta. Segundo Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário do Rio de Janeiro, o YU55 não seria um destino viável para missões espaciais, pois sua descoberta recente, em 2005, não daria tempo para o planejamento e lançamento de uma nave, que leva em torno de dez a 15 anos. Além disso, só no ano passado a trajetória dele nesta aproximação foi determinada com certeza.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário